quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Vou chamar a polícia....


                Falar de Yalom, já me faz lembrar logo o bom e velho “Quando Nietzsche Chorou”. Esse livro me trouxe um duplo sentimento, curiosidade em relação a um psicoterapeuta que dizia fazer terapia existencial e ao mesmo tempo repulsa (meu velho preconceito com Best Sellers).
                Aos poucos fui conhecendo um pouco mais do trabalho de Yalom, o livro sobre psicoterapia de grupo é um dos mais completos que eu conheço e outro chamado Desafios da Terapia é um livro bem interessante e gostoso de ler, me lembra bastante o estilo do “cartas a um jovem terapeuta” do Calligaris.
                Sempre me encantei com a sua forma de escrita, envolvente e cativante. Yalom foi supervisionando de Rollo May, um dos iniciadores da psicologia humanista nos estados unidos, quem escreveu o “Piscoterapia Existencial” e o clássico “Existencia”, que trás artigos de Allport, Rogers, Binswanger e etc.  É sem dúvida um dos principais nomes que aproximou o pensamento humanista americano com o pensamento existencial europeu.
                Sinto no Yalom o mesmo incomodo que o Rollo May me trás, uma certa incongruência (mas na verdade bem característica dos americanos) em misturar o existencialismo europeu, com o humanismo e com a psicanálise. Sempre fiquei muito desconfiado em citar Rogers, Boss e Freud nas mesmas linhas, e isso tanto Yalom, e de certa forma, Rollo May fazem.
                Apesar disso, tive acesso ao livro “Vou chamar a Polícia” do Yalom e fui convidado a resenhá-lo. O livro é fantástico. Não por ser um marco teórico ou pelas histórias contadas, mas sim um pouco de tudo. Yalom faz nesse livro uma reflexão sobre seus próprios escritos, de onde vêm e como pensa e etc. Alterna apontando várias de suas obras e apontando o mapa da mina de onde vieram suas idéias e intuições.  Porém, o que pra mim é mais interessante é o modo não dogmático que ele fala sobre a psicoterapia. Mostra seus medos, seus erros, suas desconfianças. Mostra um mundo da psicoterapia que sempre foi considerado sacro, por falar do que se passa com o psicoterapeuta, algo que fala diretamente ao lado humano do psicoterapeuta, mas de uma forma que permite a todos compreenderem de maneira bela.
                Sem a menor dúvida isso é uma grande diferença. Normalmente, os livros que falam de psicoterapia são escritos para o público especializado, enquanto que Yalom fala de psicoterapia de um modo que qualquer pode conhecê-la, o que,eu acredito,pode facilitar a popularização dessa prática. Não que qualquer um pode ser psicoterapeuta, mas sim  cliente e isso eu acho muito bom.
              O livro faz uma releitura dos outros livros do Yalom, onde ele apresenta comentários sobre a criação de cada um deles, suas intenções e algumas considerações sobre os processos terapêuticos que ele se baseou para construir as histórias. Assim, Yalom vai apresentando seus livros (transcrevendo as vezes capítulos inteiros) e comentando o surgimento de suas idéias.
 
Recomendo a leitura desse livro, conheçam o site:

domingo, 22 de novembro de 2009

A - prender



Fui convidado para fazer abertura do I Simpósio de Aprendizagem da  Faculdade Leão Sampaio e esse foi o texto que fiz e li:

Ao receber o convite para fazer a abertura do simpósio sobre aprendizagem, eu fiquei pensando: “mas eu nunca estudei a fundo o tema, o que é que eu vou falar? Quais as expectativas que os participantes têm em relação ao que eu vou dizer? E os professores e organizadores?”

Passando o momento de expectativas eu me deparo com um fato simples, mas marcante: posso não saber teorias significativas sobre esse processo, mas sei o que é aprender, e estou aprendendo o que é ensinar.

Várias teorias me vêm nesse momento, mas prefiro suspendê-las e me perguntar experiencialmente o que é aprender. Sempre vejo as pessoas começando palestras com uma compreensão etimológica do termo. Sendo sincero, não faço a menor idéia de qual a etimologia de aprender, por isso vou inventar uma. Pode parecer bobo e infantil essa idéia, mas a infância não é um período fundamental da aprendizagem?

A – PRENDER - A significa não, então não prender, deixar fluir. Posso começar falando que eu aprendo quando deixo fluir, quando me permito desprender de regras e funções e me deixo viajar sobre o assunto.

Isso demanda tempo, reflexão, mastigar cada idéia e permitir que o “metabolismo mental” atue sobre elas. Eu acredito que um dos maiores perigos da aprendizagem é engolir o material inteiro, introjetá-lo, vendo-o como uma verdade universal e inquestionável.

Esse é o meu método, meu modo. Aqui eu entro no segundo ponto sobre o qual quero falar, aprender é um processo singular que deve ser cuidado e trabalhado. Na minha primeira aula sobre docência do ensino superior uma questão me subiu a garganta. Tanto se fala em como se ensina, criam-se cursos para professores, especializações, mestrados e doutorados. Mas quem ensina a aprender? Onde se mostra como podemos assimilar um conhecimento alienando o que não é interessante e integrando o que é interessante?

Agora me vem a teoria, esse é o conceito de contato na gestalt-terapia. Assimilar o que é assimilável e alienar o que é não-assimilável. Pode parecer simples e óbvio, mas a grande questão da neurose, como já nos disse Perls, é a incapacidade de ver o óbvio, ou mais, a incapacidade de experienciar o óbvio. De buscarmos, nós mesmos, integrar o que nos interessa, e não esperar que alguém venha nos empurrar goela abaixo (a mãe, o pai, a sociedade, o professor e etc.).

Aprender é uma arte tão interessante quanto ensinar, é também dialógico, nos permite acessar isso que é outro, que da linguagem se faz desconhecido. Permite o encanto em relação ao novo, permite a mudança e permite paradoxalmente nos tornarmos aquilo que já somos: puro potencial criativo.

É ver o mundo com interesse e com disposição a mastigar nossa relação mundana e nos permitir co-construir o mundo. Rogers e Paulo Freire (cada qual no seu modo singular) sempre enfatizaram o processo dialógico da aprendizagem, o que muitos exigem, sem levar em consideração o fator autonomia. Aprender é querer aprender. Cada um é responsável pelo seu processo, e co-responsável pelo do outro (como sempre nos lembra Levinás).

É por isso que também, aprender é se disponibilizar ao outro, se permitir aprender e a ser aprendido. Chega do imperativo que dita regras sobre nossa aprendizagem, mas lembremos que somos senhores do nosso processo e construtores das nossas relações, vamos ser humildes e aprender a aprender. Vamos buscar a maturação e o desenvolvimento através de nossa autonomia, mas sem perder de vista a responsabilidade pelo outro. Para fechar esse texto, quero ser óbvio e piegas. Não vou citar Nietzsche, ou Heidegger, ou Lévinas, mas sim alguém que desde criança eu ouço e a cada dia tento aprender: “sois eternamente responsável por aquele que cativas” (Saint-Éxupery)

domingo, 30 de agosto de 2009

Ciência, filosofia, Psicologia e Psicoterapia

Não consegui pensar um nome menor para esse tópico. Mas fiquei pensando bastante sobre a discussão que está acontecendo entre eu, André e Rafael, mas especificamente entre os ultimos comentários do André em resposta ao do Rafael.
Acredito que se inicia ai um novo topico pra o dialogo: o do critério de cientificidade da psicologia. Concordo plenamente contigo Rafael, quando afirmas que a psicologia sem a filosofia não é nada, pois todo conhecimento precisa da filosofia como algo que autorga o movimento pensante. Mas é um ponto a ser considerado o de que a psicologia deve ser pensada como parte de um fundamento científico, como você pontua André. Porém isso me faz pensar sobre o que seria esse critério científico da psicologia, pois não conheço bem a compreensao apresentada por Deleuze e Guatarri no o que é a filosofia? onde eles falam dos planos da ciencia e da filosofia.
Quando penso em ciência, me vem uma idéia bem ultrapassada, porém válida e utilizada, onde a partir de Francis Bacon a ciência se estabelece como uma tentativa de prever e controlar a natureza.
Dessa forma, em que aspectos a psicologia se proporia a prever e a controlar o seu objeto de estudo? Sabemos que isso é em parte verdade e que por isso a necessidade de uma discussão ética do movimento psicológico.
Porém, na nossa forma de fazer psicoterapia (e aqui eu reduzi mais ainda o campo da psicologia) a previsão e o controle não faz parte dos objetivos do desenvolvimento clínico.
A ciência psicológica que propomos ( e aqui de certa forma eu incluo a psicanálise, a abordagem centrada na pessoa e a gestalt-terapia) a grosso modo (cada qual em sua especificidade) compreende o fênomeno humano como virtual (no sentido deleuziano e aristotélico da palavra) e por isso criativo ou imprevisível. O humano é aquilo que, de certa forma, sempre possui um movimento desviante.
Assim de novo pergunto como podemos fazer ciência psicológica,  que ciência é essa que se estabelece e qual o critério de cientificidade que podemos atribuir ao que é humano.
Inauguro neste post um novo marcador, o da filosofia da ciência, e com isso uma nova questão a ser buscada....

sábado, 22 de agosto de 2009

Cartas virtuais sobre a virtualidade

Como minha produção está muito parada já que estou tendo que dar atenção à algumas coisas burocráticas, resolvi que para não deixar o Blog parado vou postar a conversa minha e do André nos comentários.
Andei relendo e por isso repensando alguns conceitos e idéias que acredito que me serão muito uteis. Resolvi integrar a esse Blog alguns diálogos com amigos e blogs de amigos.
Abraços

André Feitosa disse...
Querido Amigo,
Li seu post com a atenção que você merece. Gosto de percorrer suas palavras - você já deve supor que isso aplacar minha solidão de criaturas pensantes.
Eu concordo, inteiramente, com os seus argumentos, porém, fico a refletir que essa noção de "Virtual-Movimento", emprestada do Deleuze, tem lá sua matriz originária, numa Epistemologia terceira à Psicologia. Na verdade, pertence, claramente, a uma proposta de Filosofia das Vertigens, essa tal Filosofia do Espanto e da Desconstrução Francesa (Derrida, Deleuze, Guattari, Foucault etc). Quero dizer com isso que o Deleuze não cunhou, ou se apropriou, desse conceito, gratuitamente, e, muito menos, sedimentou-o no Projeto de Filosofia que ele estava construindo, por alguma leviandade. Se isso é verdade, então, a "virtualidade", para o Deleuze, é uma necessidade conceitual para operacionar e legimitar o movimento, espanto, susto, colapso, que a Filosofia dele se propõe. (Os filhos carregam as linhagens dos seus pais). Sob esse prisma, quando você fala de Virtualização, estou escutando, a partir do Deleuze, você solicitando-me (leitor) permissão para realizar um empreendimento filosófico, um deslocamento sobre um Plano de Imanência (afinal, para o Deleuze, livro "O que é a filosofia", as Filosofias carregam seus "planos de consistência", enquanto a Ciência, "planos de referência"). Ok, se for isso. Contudo, em sendo, você está fazendo Filosofia. O que isso tem a ver com a Psicologia? Você está querendo construir um trabalho conceitual, do ponto de vista Filosófico, acerca da Virtualidade? Porque, se não for, você deveria se haver com o fato, concreto, a responsabilidade, real, de transfigurar "Virtualidade" e "Virtualização" como categorias de ciência (segundo o mesmo Deleuze, dentro de um "plano de referência"). Eu te escuto, da Psicologia, tentando se aproximar "disso", dessa coisa estranha e estrangeira, qual seja: como pensar uma categoria de Virtualização, entendendo "Virtual como Movimento", a partir de uma "referência" na ciência Psicológica. Se Virtual é Movimento, então, você deveria procurar respostas, para isso, na sua "Ciência" da Gestalt-Terapia - em algum lugar, por lá, onde se fale de Movimento/Deslocamento, para você fazer suas aproximações. A parte do "namoro", e, mais especificamente, do "namoro virtual", fica para outra ocasião.

Abraços, A.Feitosa.
29 de Julho de 2009 22:10

Ajustamento Criativo disse...
Entendi André. Acredito que você tenha razão nesse ponto, que, como você colocou a questão é de cunho filosófico e não psicológico. E mais, uma filosofia descontrutivista. A minha questão de reflexão (e não de produção científica) é realmente de poder pensar de modo transversal à psicologia uma nova via de compreensão que abarque o movimento que a tecnologia propõe sem necessariamente moralizá-lo. Em outras palavras, quero compreender os contornos atuais de comunicação e tecnologia dentro da vida humana sem patologizar ou fazer analogias esdrúxula com as teorias psicológicas.


Me lembro agora do Rafael falando do quanto era absurda uma discussão que ele fizera parte onde uma das pessoas (sobre aquele acidente do air france) começou a falar da caixa preta do avião como o "inconsciente do avião".

Esses e outras absurdos ouvimos todos os dias, de uma incapacidade da psicologia de acompanhar os movimentos (que são virtuais nessa visão) que a sociedade caminha e que sempre procuram referenciá-la em modelos que são de uma era atrás. E ai os estudos dizem que:
- as pessoas não lêem mais por causa da internet,
- estão passando por processos patológicos de exposição através de blogs, sites de relacionamento e etc.
- Possuem medo de contatos "reais"
- e etc.
Todo um discurso moralista e moralizante baseado (e aqui tem a nossa culpa também) em um discurso que afirma o toque e o contato físico como atualizantes, auto-reguladores ou criativos e por isso a internet é um tipo de "mal do século".
E aí digo de novo que precisamos repensar conceitos como privacidade, comunicação e etc.
Por isso eu reconheço um certo preconceito meu, eu acredito que a filosofia pensa mais que a psicologia, justamente porque ela não está atrelada em um discurso social de melhora e "vida saudável" que a psicoterapia e a psicologia tem contas a prestar.
Mas gostei da tua idéia de reconhecer esse movimento dentro (ai aqui são palavras minhas) da epistemologia da GT, porque acredito que são questões de base e quero não cair no erro de ir para a ponta (práxis) sem uma boa sustentação. No trabalho acadêmico vou procurar fazer essas amarrar pra construir um discurso que seja científico e psicológico (porém pensante) e não cair em um “filosofismo”.
Gosto de conversar com você pois me faz pensar.
Um grande abraço
Marcus Cézar
31 de Julho de 2009 04:37

terça-feira, 28 de julho de 2009

O virtual

Eu ultimamente não pude sentar e escrever. Muitas coisas pra serem resolvidas, organizadas e arrumadas. Agora estou com o tempo um pouco mais sossegado ,mas na minha cabeça muita coisa ainda precisa ser resolvida,organizada e arrumada.

Como eu coloquei antes, são muitos temas. Talvez não seja possível articular todos, mas provavelmente seja possível entender pontes.

Minha dissertação é sobre “namoro virtual”, já é possível ver pelo menos dois problemas nisso. O primeiro é o que define um namoro, o que ele é e em qual contexto ele está inserido. Esse eu vou deixar pra depois, não é o meu foco agora.

O segundo é a própria idéia de virtual. Se eu faço um rápido Brainstorm o que vem de virtual é: virtualidade, artificial, ciberespaço ,cibercultura, tecnologia,técnica. Talvez eu tenha que concordar com o meu amigo André que a noção de virtualidade chama o artificial. Mas não necessariamente.

Pierre Levy (um dos principais autores que eu estou trabalhando) mostra que o virtual se opõe à atual, ao invés de real. Isso quer dizer que o virtual não é algo irreal, ou imaginário, ou uma alucinação coletiva, mas sim algo que pode se desdobrar pra onde não podemos prever.

A trilha é aristotélica, algo existe em ato e em potência. Uma semente é uma árvore em potência. O potencial é um crescimento já sabido, um desenvolvimento que sabemos pra onde caminha. Eis porque a necessidade do virtual. O virtual é aquilo que não podemos delimitar, algo que no fluxo temporal se constitui como um futuro sem predisposição necessária. Me parece agora bem próximo do CLINAMEN epicurista, que é o desviante, o incalculável. Se voltarmos pra semente ela é potencialmente uma árvore, mas virtualmente uma miscelânea de formas e tamanhos que não podemos ainda supor.

Isso significa que a virtualidade não é necessariamente ligada ao computador. Nossas relações são virtualizadas, transformadas e reconstruídas a cada contexto e campo que se reconstrói. Virtual é um conceito retomado por Deleuze e emprestado por Pierre Levy pra falar sobre isso que, no meu entendimento, escapa e cria movimento, possui regras próprias se constitui de várias maneiras sem podermos delimitar pra onde e como vai. Chamem isso de formação de gestalten, inconsciente, experiência organísmica ou linguagem (todas essas palavras são meras provocações), eu agora procuro ver como processos de virtualização. Essa é a lente que (por enquanto) eu procuro olhar pra experiência e dar conta do meu objeto.

Retomo agora a discussão inicial: “namoro virtual”. Essa segunda palavra atesta que em primeiro lugar não podemos chamar esse tipo de relacionamento de falso ou imaginário. Freud já foi muito feliz em nos mostrar que não podemos falsear a fala em primeira pessoa, esse não é nosso direito nem o nosso dever enquanto psicólogos, psicoterapeutas ou analistas. Em segundo lugar essa palavra também atesta os movimentos que esse relacionamento tem, e que por isso mesmo não podemos necessariamente fadá-lo ao fracasso.
Idealização do outro? Imaginação? Enganação? Ok, tudo isso pode acontecer, mas as teorias contemporâneas não concordam que isso também acontece nos “relacionamentos normais”?

A psicologia é nova demais pra ter consistência suficiente e velha demais pra compreender os fenômenos contemporâneos. As relações mediadas por computador aliadas às presenciais mediadas por outras tecnologias (celular, palmtop, aviões, ar condicionado...) nos obrigam a repensar vários conceitos e temas da psicologia e psicoterapia: corpo, cérebro, relação terapêutica, solidão, conjugalidade, linguagem, ética, psicopatologias, ciência e comunicação. Uma das saídas que eu enxergo de integração daqueles temas do outro post é por esse caminho, vamos ver o que é possível ser feito....


quarta-feira, 22 de julho de 2009

Reativando o blog

Resolvi reativar meu Blog. Não faz exatamente um ano que eu parei, mas muita coisa já mudou desde então. Dentre as várias coisas que aconteceram, uma delas foi a minha pesquisa de mestrado e as aulas que estou dando. Meu novo objetivo nesse blog é tentar dar um jeito de integrar tudo isso.

Eu estou estudando basicamente:

Virtualidade;
Corpo e virtualidade;
Intimidade na pós-modernidade;
Se existe uma pós-modernidade realmente;
Interfaces entre Psicologia e Informática;
História do amor no ocidente;
Ética como filosofia;
Ética e psicologia;
Ética e Psicoterapia;
Fenomenologia;
Existencialismo;
As correlações entre Fenomenologia e Existencialismo;
Abordagens psicológicas de base fenomenológica e existencial (e se faz sentido dizer isso);
Psicopatologia fenomenológica;
Pesquisa Qualitativa;
Epistemologia da Psicologia;
Psicoterapia;
Psicologia e Educação;
Gestalt-terapia;

É muita coisa. Meu objetivo como eu disse é tentar integrar tudo isso. Todos esses são temas que perpassam de alguma forma o que eu tenho pensado muito e escrito pouco ultimamente. Tenho uma péssima escrita, mas tenho uma boa capacidade de interconectar conceitos e idéias (como um bom geminiano, digo isso sem saber absolutamente nada de horóscopo, como um bom geminiano faria).

Tenho certeza que esse semestre vai ser pesado...muito pesado, mas a idéia é justamente essa. Funciono muito melhor sob pressão.

Abraços e boa sorte pra mim.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

E se tudo que eu imaginasse ruísse?

E se tudo que eu imaginasse ruísse? Sentir o gosto azedo do descaso ou o gosto amargo da vingança. Cada momento é como o primeiro gole d´agua da manhã....a primeira respiração de um bebê. O ar entra rasgando e diz “bem vindo ao mundo”. O primeiro contato é puro sofrimento, é o desconforto que entra pelo nariz suprindo uma necessidade...mas causa dor, medo e destrói tudo que parece certo, organizado e bonito. Antes era tudo paz, pouco som e pouca luz e de uma hora pra outra é pele com pêlo, ar por água e choro por tudo. É nosso segundo mundo.

E se tudo que eu imaginasse ruísse? O último gole da cicuta e a certeza de que não existe vida após a morte. A pergunta fica, e se arrependimento matasse? O que matou foi não se arrepender. A carta, o ópio, a lente, a vela, o quarto, o final. O conjunto da obra. A saída do transe, a sobra de tudo que parecia tão certo e tão vivo por morrer. Tudo se torna fim e por fim não recomeça mais.

E se tudo que eu imaginasse ruísse? A solidão de ir e vir sem o colchão quente, sem os lençóis mexidos: a despedida. É não olhar pra trás...e se olhar, ver que não tem quem se despede. E do acaso ao descaso se encontra só e perdido, aéreo por opção.

E se tudo que eu imaginasse ruísse? Não sou tão feio, não sou tão burro, não sou tão ruim, não sou tão magro, não sou tão alto, não sou tão bonito, não sou tão gordo, não sou tão inteligente, não sou tão bom...não sou. Insisti tanto, relutei sem dó e descobri que não sou. Ressurgi tantas vezes com tantas propostas, com tantos dizeres, com tantas frases feitas e com tantos jargões. E por tantas vezes que ruiu, tudo desabou.

E se tudo que eu imaginasse ruísse? Errei por tantas vezes que arriscar se torna secundário. Tornei-me passado e como passado me lamento. O corpo trava, a língua trava e o medo trava. Por estar lá, me falo de mim como lembrança e me confesso que de tudo que estava certo os “eu te disse” pesam mais. Quero esquecer que um dia eu pude acreditar...quero me sentar em um quarto escuro e fingir que tudo se corrige linha por linha se ninguém se mexer.

Á ferro, fogo e a caneta o mundo não se apaga. Cada flor, cada céu e cada beijo se sentiram acuados por não ter certeza se podiam desabrochar. Cada espinho tira sangue sem querer, mas protege e peca por sobreviver, porque fez o que pôde. Cada manhã fere os olhos mais preocupados e não pede desculpa por machucar. Cada beijo é tímido, mas intenso. É moído de razão e sentimento, pressão e saudade, pois no encontro se despede.

E se tudo que eu imaginasse ruísse? Talvez ainda existisse a chance de recomeçar.....