O livro Gestalt-terapia de Perls, Hefferline e Goodman de 1951 teve sua parte teórica construída a partir dos esboços teóricos de Fritz Perls relidos e aprimorados pelo escritor e crítico social Paul Goodman. O objetivo de Goodman foi apresentar, a partir das discussões iniciais de Perls, uma nova proposta de compreensão da natureza humana que integre a escola gestáltica e as teorias neo-psicanalíticas. Porém, como ferramenta crítica para essa análise, Goodman propôs uma integração da fenomenologia de Husserl e do Pragmatismo de John Dewey para recriar a concepção de self dentro da perspectiva da gestalt-terapia. O objetivo deste trabalho é apresentar o modo como Goodman vai interpretar a fenomenologia a partir de uma leitura pragmática para propor a noção de “sistema-self” como o sistema de contatos que se manifesta no campo organismo/ambiente. Sendo assim, essa leitura pragmatista da fenomenologia vai possibilitar dois pontos fundamentais: 1) ao invés de uma compreensão transcendental do ego (tal como proposto por Husserl), ele vai propor uma análise exaustiva das estruturas parciais do self, a saber o id, o ego e a personalidade. Estas estruturas parciais são entendidas como diferentes pontos de vista (ou perfis) para analisar a experiência, sem precisar recair em uma compreensão dicotômica ou psicologista. E 2) uma interpretação da ideia de contato já cunhada por Fritz Perls em seu livro anterior a partir da leitura fenomenológica da temporalidade. Sendo assim, o fenomenológico da abordagem gestáltica, nessa compreensão, não seria a construção de um método terapêutico, mas sim a base para se pensar a dinâmica do self e suas estruturas parciais. A partir da lente pragmática, há a desconstrução da busca pelo fundamento do conhecimento tão cara a Husserl para que se possa apreender a dinâmica constantemente transformadora da experiência humana e aplica-la ao campo da psicoterapia, da educação e da política. Como conclusão, acreditamos na pertinência dessa teoria, e que a teoria do self gestáltica, por mais que não tenha sido suficientemente reconhecida pela comunidade dos gestalt-terapeutas, pode ser uma ferramenta essencial para a construção da teoria e prática da abordagem gestáltica nos vários campo de atuação do psicólogo.
Este é o resumo do trabalho que será apresentado no EFHEP:
Encontro de Filosofia, História e Epistemologia da Psicologia
www.efhep.com
Será dia 19/04 no auditório A4 da UNIFOR!

