quinta-feira, 27 de outubro de 2011
E na cidade virtual e sem lei, novamente o preconceito
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Gestalt-terapia em tempos de internet e política
As mulheres gritam de socorro contra o imperativo libertário feminista que as colocaram como mulheres que trabalham, são independentes, mas ainda devem cuidar da casa e criar os filhos. Na verdade o trabalho dobrou! E agora? Os casamentos não precisam mais durar pra sempre, sabiam disso? Não somos mais prometidos, podemos escolher. A paixão e o amor são escolhas? Não sei, mas em tempos de internet, o mercado está lotado de produtos e mais produtos: escolha a cor do cabelo, a ocupação, a faixa salarial e o tipo de filme que ele ou ela gosta, e como num passe de mágica, um site de relacionamentos gera para você várias opções. Repito, várias opções.
Antes podíamos ser médicos, advogados ou engenheiros. Agora podemos ser engenheiros de telecomunicações, psicólogos, nutricionistas, gestores de RH, gestores de microempresas, gestores de hotéis, corretores de imóveis, dançarinos, matemáticos, físicos nucleares, educadores físicos, zootecnicistas e etc. Temos muitas possibilidades de escolher.
Quer resolver a famosa fase do “por que?” do seu filho? Coloque-o na frente de um computador, não se preocupe, o GOOGLE sabe mais do que você. Sua função de pai-que-sabe-tudo pode facilmente ser substituída pelo Google. Se você não sabe lidar com seu filho, não se preocupe, o Google também lhe ensina.
Estamos em época de eleição, e muitos comentam a revolução democrática que estamos vivendo. Isto porque, as discussões estão acirradas, as máscaras sendo tiradas e até a bolinha de papel jogada no Serra pode ser vista e revista no youtube. Maria Rita Kehl foi demitida, isto para muitos foi uma afronta! Ora, seu texto pode ser lido na integra em milhares de sites, o jornal que ela trabalhava está tendo que se rebolar pra dar conta de tantos ataques, será que realmente foi um absurdo ela ter sido demitida? O jornal que ela trabalhava tinha uma posição política, ela foi contra essa posição. No mundo do trabalho, quem não segue a linha só tem um caminho: rua. Quem ainda acredita que os jornais são espaço de liberdade de imprensa? Querem liberdade? Vão para a internet! Cada vez mais tenho acreditado na proposta de André Lemos e Pierre Levy de que vivemos o que eles chamam de ciberdemocraria. Esta eleição é fruto da ciberdemocracia. Nossas caixas de e-mail são enchidas com informações de todos os lugares, de todos os tipos e de várias fontes. A ciberdemocracia nos enche de sentido. Não podemos mais nos alienar. Temos que escolher o próximo presidente, e não podemos mais usar a desculpa de “falta de informação”. O problema da ciberdemocracia é que não sabemos quem ela atinge, talvez ela seja só mais uma pseudo-democracia elitista, que só esmaga mais o povo. Ganhamos até um novo desclassificado: o analfabeto digital.
Eis a crise do excesso, a nova crise da razão. Nosso cérebro precisa de um update para tanta informação, mas não se preocupem, em breve substituiremos nossa memória por um HD, e aí não poderemos esquecer nada! Nossos sonhos podem ser modelados, e podemos encomendá-los: “quero sonhar com minha casa de praia”! Já temos tecnologia suficiente para lidar com isso.
Vivemos um momento histórico que deve ser levado em consideração! Acredito que discutimos muito a política, mas não estamos discutindo o suficiente os meios que essa política tem se manifestado, pois o jogo está sendo primordialmente online. A quatro anos atrás, o modo como utilizávamos a internet, era bem diferente. O que mudou nestas eleições? Em tempos de política, nossa análise gestáltica deve voltar-se para a forma, o modo como a comunicação tem se estabelecido, ou seja, o modo como as pessoas tem se encontrado com o mundo.
Sendo assim, em tempos de política encontramos uma nova questão: a internet é uma nova democracia, ou finalmente houve a concretização do “grande irmão” que nos ensina como fazer e o que devemos fazer?
Conectar ou não conectar, eis a questão.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Contato, Virtualidade e Internet: uma discussão a partir da abordagem gestáltica
sábado, 22 de agosto de 2009
Cartas virtuais sobre a virtualidade
Andei relendo e por isso repensando alguns conceitos e idéias que acredito que me serão muito uteis. Resolvi integrar a esse Blog alguns diálogos com amigos e blogs de amigos.
Abraços
André Feitosa disse...
Querido Amigo,
Li seu post com a atenção que você merece. Gosto de percorrer suas palavras - você já deve supor que isso aplacar minha solidão de criaturas pensantes.
Eu concordo, inteiramente, com os seus argumentos, porém, fico a refletir que essa noção de "Virtual-Movimento", emprestada do Deleuze, tem lá sua matriz originária, numa Epistemologia terceira à Psicologia. Na verdade, pertence, claramente, a uma proposta de Filosofia das Vertigens, essa tal Filosofia do Espanto e da Desconstrução Francesa (Derrida, Deleuze, Guattari, Foucault etc). Quero dizer com isso que o Deleuze não cunhou, ou se apropriou, desse conceito, gratuitamente, e, muito menos, sedimentou-o no Projeto de Filosofia que ele estava construindo, por alguma leviandade. Se isso é verdade, então, a "virtualidade", para o Deleuze, é uma necessidade conceitual para operacionar e legimitar o movimento, espanto, susto, colapso, que a Filosofia dele se propõe. (Os filhos carregam as linhagens dos seus pais). Sob esse prisma, quando você fala de Virtualização, estou escutando, a partir do Deleuze, você solicitando-me (leitor) permissão para realizar um empreendimento filosófico, um deslocamento sobre um Plano de Imanência (afinal, para o Deleuze, livro "O que é a filosofia", as Filosofias carregam seus "planos de consistência", enquanto a Ciência, "planos de referência"). Ok, se for isso. Contudo, em sendo, você está fazendo Filosofia. O que isso tem a ver com a Psicologia? Você está querendo construir um trabalho conceitual, do ponto de vista Filosófico, acerca da Virtualidade? Porque, se não for, você deveria se haver com o fato, concreto, a responsabilidade, real, de transfigurar "Virtualidade" e "Virtualização" como categorias de ciência (segundo o mesmo Deleuze, dentro de um "plano de referência"). Eu te escuto, da Psicologia, tentando se aproximar "disso", dessa coisa estranha e estrangeira, qual seja: como pensar uma categoria de Virtualização, entendendo "Virtual como Movimento", a partir de uma "referência" na ciência Psicológica. Se Virtual é Movimento, então, você deveria procurar respostas, para isso, na sua "Ciência" da Gestalt-Terapia - em algum lugar, por lá, onde se fale de Movimento/Deslocamento, para você fazer suas aproximações. A parte do "namoro", e, mais especificamente, do "namoro virtual", fica para outra ocasião.
Abraços, A.Feitosa.
29 de Julho de 2009 22:10
Ajustamento Criativo disse...
Entendi André. Acredito que você tenha razão nesse ponto, que, como você colocou a questão é de cunho filosófico e não psicológico. E mais, uma filosofia descontrutivista. A minha questão de reflexão (e não de produção científica) é realmente de poder pensar de modo transversal à psicologia uma nova via de compreensão que abarque o movimento que a tecnologia propõe sem necessariamente moralizá-lo. Em outras palavras, quero compreender os contornos atuais de comunicação e tecnologia dentro da vida humana sem patologizar ou fazer analogias esdrúxula com as teorias psicológicas.
Me lembro agora do Rafael falando do quanto era absurda uma discussão que ele fizera parte onde uma das pessoas (sobre aquele acidente do air france) começou a falar da caixa preta do avião como o "inconsciente do avião".
Esses e outras absurdos ouvimos todos os dias, de uma incapacidade da psicologia de acompanhar os movimentos (que são virtuais nessa visão) que a sociedade caminha e que sempre procuram referenciá-la em modelos que são de uma era atrás. E ai os estudos dizem que:
- as pessoas não lêem mais por causa da internet,
- estão passando por processos patológicos de exposição através de blogs, sites de relacionamento e etc.
- Possuem medo de contatos "reais"
- e etc.
Todo um discurso moralista e moralizante baseado (e aqui tem a nossa culpa também) em um discurso que afirma o toque e o contato físico como atualizantes, auto-reguladores ou criativos e por isso a internet é um tipo de "mal do século".
E aí digo de novo que precisamos repensar conceitos como privacidade, comunicação e etc.
Por isso eu reconheço um certo preconceito meu, eu acredito que a filosofia pensa mais que a psicologia, justamente porque ela não está atrelada em um discurso social de melhora e "vida saudável" que a psicoterapia e a psicologia tem contas a prestar.
Mas gostei da tua idéia de reconhecer esse movimento dentro (ai aqui são palavras minhas) da epistemologia da GT, porque acredito que são questões de base e quero não cair no erro de ir para a ponta (práxis) sem uma boa sustentação. No trabalho acadêmico vou procurar fazer essas amarrar pra construir um discurso que seja científico e psicológico (porém pensante) e não cair em um “filosofismo”.
Gosto de conversar com você pois me faz pensar.
Um grande abraço
Marcus Cézar
31 de Julho de 2009 04:37
terça-feira, 28 de julho de 2009
O virtual
Eu ultimamente não pude sentar e escrever. Muitas coisas pra serem resolvidas, organizadas e arrumadas. Agora estou com o tempo um pouco mais sossegado ,mas na minha cabeça muita coisa ainda precisa ser resolvida,organizada e arrumada.
Como eu coloquei antes, são muitos temas. Talvez não seja possível articular todos, mas provavelmente seja possível entender pontes.
Minha dissertação é sobre “namoro virtual”, já é possível ver pelo menos dois problemas nisso. O primeiro é o que define um namoro, o que ele é e em qual contexto ele está inserido. Esse eu vou deixar pra depois, não é o meu foco agora.
O segundo é a própria idéia de virtual. Se eu faço um rápido Brainstorm o que vem de virtual é: virtualidade, artificial, ciberespaço ,cibercultura, tecnologia,técnica. Talvez eu tenha que concordar com o meu amigo André que a noção de virtualidade chama o artificial. Mas não necessariamente.
Pierre Levy (um dos principais autores que eu estou trabalhando) mostra que o virtual se opõe à atual, ao invés de real. Isso quer dizer que o virtual não é algo irreal, ou imaginário, ou uma alucinação coletiva, mas sim algo que pode se desdobrar pra onde não podemos prever.
A trilha é aristotélica, algo existe em ato e em potência. Uma semente é uma árvore em potência. O potencial é um crescimento já sabido, um desenvolvimento que sabemos pra onde caminha. Eis porque a necessidade do virtual. O virtual é aquilo que não podemos delimitar, algo que no fluxo temporal se constitui como um futuro sem predisposição necessária. Me parece agora bem próximo do CLINAMEN epicurista, que é o desviante, o incalculável. Se voltarmos pra semente ela é potencialmente uma árvore, mas virtualmente uma miscelânea de formas e tamanhos que não podemos ainda supor.
Isso significa que a virtualidade não é necessariamente ligada ao computador. Nossas relações são virtualizadas, transformadas e reconstruídas a cada contexto e campo que se reconstrói. Virtual é um conceito retomado por Deleuze e emprestado por Pierre Levy pra falar sobre isso que, no meu entendimento, escapa e cria movimento, possui regras próprias se constitui de várias maneiras sem podermos delimitar pra onde e como vai. Chamem isso de formação de gestalten, inconsciente, experiência organísmica ou linguagem (todas essas palavras são meras provocações), eu agora procuro ver como processos de virtualização. Essa é a lente que (por enquanto) eu procuro olhar pra experiência e dar conta do meu objeto.
Retomo agora a discussão inicial: “namoro virtual”. Essa segunda palavra atesta que em primeiro lugar não podemos chamar esse tipo de relacionamento de falso ou imaginário. Freud já foi muito feliz em nos mostrar que não podemos falsear a fala em primeira pessoa, esse não é nosso direito nem o nosso dever enquanto psicólogos, psicoterapeutas ou analistas. Em segundo lugar essa palavra também atesta os movimentos que esse relacionamento tem, e que por isso mesmo não podemos necessariamente fadá-lo ao fracasso.
Idealização do outro? Imaginação? Enganação? Ok, tudo isso pode acontecer, mas as teorias contemporâneas não concordam que isso também acontece nos “relacionamentos normais”?
A psicologia é nova demais pra ter consistência suficiente e velha demais pra compreender os fenômenos contemporâneos. As relações mediadas por computador aliadas às presenciais mediadas por outras tecnologias (celular, palmtop, aviões, ar condicionado...) nos obrigam a repensar vários conceitos e temas da psicologia e psicoterapia: corpo, cérebro, relação terapêutica, solidão, conjugalidade, linguagem, ética, psicopatologias, ciência e comunicação. Uma das saídas que eu enxergo de integração daqueles temas do outro post é por esse caminho, vamos ver o que é possível ser feito....
