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domingo, 30 de agosto de 2009

Ciência, filosofia, Psicologia e Psicoterapia

Não consegui pensar um nome menor para esse tópico. Mas fiquei pensando bastante sobre a discussão que está acontecendo entre eu, André e Rafael, mas especificamente entre os ultimos comentários do André em resposta ao do Rafael.
Acredito que se inicia ai um novo topico pra o dialogo: o do critério de cientificidade da psicologia. Concordo plenamente contigo Rafael, quando afirmas que a psicologia sem a filosofia não é nada, pois todo conhecimento precisa da filosofia como algo que autorga o movimento pensante. Mas é um ponto a ser considerado o de que a psicologia deve ser pensada como parte de um fundamento científico, como você pontua André. Porém isso me faz pensar sobre o que seria esse critério científico da psicologia, pois não conheço bem a compreensao apresentada por Deleuze e Guatarri no o que é a filosofia? onde eles falam dos planos da ciencia e da filosofia.
Quando penso em ciência, me vem uma idéia bem ultrapassada, porém válida e utilizada, onde a partir de Francis Bacon a ciência se estabelece como uma tentativa de prever e controlar a natureza.
Dessa forma, em que aspectos a psicologia se proporia a prever e a controlar o seu objeto de estudo? Sabemos que isso é em parte verdade e que por isso a necessidade de uma discussão ética do movimento psicológico.
Porém, na nossa forma de fazer psicoterapia (e aqui eu reduzi mais ainda o campo da psicologia) a previsão e o controle não faz parte dos objetivos do desenvolvimento clínico.
A ciência psicológica que propomos ( e aqui de certa forma eu incluo a psicanálise, a abordagem centrada na pessoa e a gestalt-terapia) a grosso modo (cada qual em sua especificidade) compreende o fênomeno humano como virtual (no sentido deleuziano e aristotélico da palavra) e por isso criativo ou imprevisível. O humano é aquilo que, de certa forma, sempre possui um movimento desviante.
Assim de novo pergunto como podemos fazer ciência psicológica,  que ciência é essa que se estabelece e qual o critério de cientificidade que podemos atribuir ao que é humano.
Inauguro neste post um novo marcador, o da filosofia da ciência, e com isso uma nova questão a ser buscada....

sábado, 22 de agosto de 2009

Cartas virtuais sobre a virtualidade

Como minha produção está muito parada já que estou tendo que dar atenção à algumas coisas burocráticas, resolvi que para não deixar o Blog parado vou postar a conversa minha e do André nos comentários.
Andei relendo e por isso repensando alguns conceitos e idéias que acredito que me serão muito uteis. Resolvi integrar a esse Blog alguns diálogos com amigos e blogs de amigos.
Abraços

André Feitosa disse...
Querido Amigo,
Li seu post com a atenção que você merece. Gosto de percorrer suas palavras - você já deve supor que isso aplacar minha solidão de criaturas pensantes.
Eu concordo, inteiramente, com os seus argumentos, porém, fico a refletir que essa noção de "Virtual-Movimento", emprestada do Deleuze, tem lá sua matriz originária, numa Epistemologia terceira à Psicologia. Na verdade, pertence, claramente, a uma proposta de Filosofia das Vertigens, essa tal Filosofia do Espanto e da Desconstrução Francesa (Derrida, Deleuze, Guattari, Foucault etc). Quero dizer com isso que o Deleuze não cunhou, ou se apropriou, desse conceito, gratuitamente, e, muito menos, sedimentou-o no Projeto de Filosofia que ele estava construindo, por alguma leviandade. Se isso é verdade, então, a "virtualidade", para o Deleuze, é uma necessidade conceitual para operacionar e legimitar o movimento, espanto, susto, colapso, que a Filosofia dele se propõe. (Os filhos carregam as linhagens dos seus pais). Sob esse prisma, quando você fala de Virtualização, estou escutando, a partir do Deleuze, você solicitando-me (leitor) permissão para realizar um empreendimento filosófico, um deslocamento sobre um Plano de Imanência (afinal, para o Deleuze, livro "O que é a filosofia", as Filosofias carregam seus "planos de consistência", enquanto a Ciência, "planos de referência"). Ok, se for isso. Contudo, em sendo, você está fazendo Filosofia. O que isso tem a ver com a Psicologia? Você está querendo construir um trabalho conceitual, do ponto de vista Filosófico, acerca da Virtualidade? Porque, se não for, você deveria se haver com o fato, concreto, a responsabilidade, real, de transfigurar "Virtualidade" e "Virtualização" como categorias de ciência (segundo o mesmo Deleuze, dentro de um "plano de referência"). Eu te escuto, da Psicologia, tentando se aproximar "disso", dessa coisa estranha e estrangeira, qual seja: como pensar uma categoria de Virtualização, entendendo "Virtual como Movimento", a partir de uma "referência" na ciência Psicológica. Se Virtual é Movimento, então, você deveria procurar respostas, para isso, na sua "Ciência" da Gestalt-Terapia - em algum lugar, por lá, onde se fale de Movimento/Deslocamento, para você fazer suas aproximações. A parte do "namoro", e, mais especificamente, do "namoro virtual", fica para outra ocasião.

Abraços, A.Feitosa.
29 de Julho de 2009 22:10

Ajustamento Criativo disse...
Entendi André. Acredito que você tenha razão nesse ponto, que, como você colocou a questão é de cunho filosófico e não psicológico. E mais, uma filosofia descontrutivista. A minha questão de reflexão (e não de produção científica) é realmente de poder pensar de modo transversal à psicologia uma nova via de compreensão que abarque o movimento que a tecnologia propõe sem necessariamente moralizá-lo. Em outras palavras, quero compreender os contornos atuais de comunicação e tecnologia dentro da vida humana sem patologizar ou fazer analogias esdrúxula com as teorias psicológicas.


Me lembro agora do Rafael falando do quanto era absurda uma discussão que ele fizera parte onde uma das pessoas (sobre aquele acidente do air france) começou a falar da caixa preta do avião como o "inconsciente do avião".

Esses e outras absurdos ouvimos todos os dias, de uma incapacidade da psicologia de acompanhar os movimentos (que são virtuais nessa visão) que a sociedade caminha e que sempre procuram referenciá-la em modelos que são de uma era atrás. E ai os estudos dizem que:
- as pessoas não lêem mais por causa da internet,
- estão passando por processos patológicos de exposição através de blogs, sites de relacionamento e etc.
- Possuem medo de contatos "reais"
- e etc.
Todo um discurso moralista e moralizante baseado (e aqui tem a nossa culpa também) em um discurso que afirma o toque e o contato físico como atualizantes, auto-reguladores ou criativos e por isso a internet é um tipo de "mal do século".
E aí digo de novo que precisamos repensar conceitos como privacidade, comunicação e etc.
Por isso eu reconheço um certo preconceito meu, eu acredito que a filosofia pensa mais que a psicologia, justamente porque ela não está atrelada em um discurso social de melhora e "vida saudável" que a psicoterapia e a psicologia tem contas a prestar.
Mas gostei da tua idéia de reconhecer esse movimento dentro (ai aqui são palavras minhas) da epistemologia da GT, porque acredito que são questões de base e quero não cair no erro de ir para a ponta (práxis) sem uma boa sustentação. No trabalho acadêmico vou procurar fazer essas amarrar pra construir um discurso que seja científico e psicológico (porém pensante) e não cair em um “filosofismo”.
Gosto de conversar com você pois me faz pensar.
Um grande abraço
Marcus Cézar
31 de Julho de 2009 04:37